‘O lugar escuro’ em Portugal

Está saindo agora em maio em Portugal, pela editora Tinta da China, meu livro ‘O lugar escuro’, um relato sobre a doença de Alzheimer de minha mãe. O livro, lançado no Brasil em 2007 pela Objetiva (hoje um selo da Companhia das Letras), foi adaptado por mim para o teatro em 2013, e encenado pelas atrizes Camilla Amado, Clarice Niskier e Laila Zaid, com direção de André Paes Leme. Aqui reproduzo um trecho do texto que escrevi para o programa da peça (“Fiapos de luz”), e que define bem o que é o livro para mim:

Quando comecei a escrever o livro ‘O lugar escuro’ (que daria origem à peça), eu tinha dúvidas se iria publicá-lo. Achava que era um texto confessional demais, feito só para mim mesma, uma forma de ancorar no papel os fantasmas que ainda me rondavam naquela época. Porque conviver com a doença de Alzheimer é algo avassalador, e você precisa encontrar um modo de se apaziguar.

Isso foi há dez anos. De lá para cá, muita coisa aconteceu. O livro acabou saindo e eu me vi de repente em meio a uma verdadeira tempestade emocional. Pessoas me procuravam – por telefone, por email, me parando na rua – para dizer o quanto o livro tinha mexido com elas. Às vezes, me abraçavam chorando. E sempre me agradeciam por uma coisa: por eu ter confessado minha raiva, minha revolta. Por não ter querido fazer o papel – que seria tão bonito – da filha boazinha.

‘Você me aliviou’, diziam. ‘Porque eu também sentia raiva, mas não conseguia confessar’.”