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  • Prêmio Bibi Ferreira: 6 indicações

    Prêmio Bibi Ferreira: 6 indicações

    Eu e Julia Romeu fomos indicadas ao prêmio Bibi Ferreira 2014/2015, pela autoria do roteiro do musical “Bilac vê estrelas”. Além de Melhor Roteiro Original, “Bilac” teve outras cinco indicações ao Bibi Ferreira: Melhor Musical, Melhor Musical Brasileiro, Melhor Música (Nei Lopes), Melhor Ator (André Dias) e Melhor Ator Coadjuvante (Caike Luna, que substituiu Tadeu Aguiar no papel de Padre Maximiliano na temporada paulista).

    O prêmio Bibi Ferreira, criado há apenas três anos, é dedicado exclusivamente ao teatro musical. A entrega dos prêmios será no dia 14 de outubro próximo, no Theatro Municipal de São Paulo, em cerimônia de gala (com black-tie e tapete vermelho, como os paulistas gostam de fazer).

    Depois de quatro meses em cartaz no Rio (no Teatro Sesc Ginástico em janeiro e fevereiro, no circuito Sesc de teatros em março e no Teatro dos Quatro, na Gávea, em maio), “Bilac vê estrelas” fez uma temporada de dois meses em São Paulo, no Teatro Promon, tendo tido, em ambas as praças, bom sucesso de público e críticas excelentes. Só entre os prêmios Shell, Cesgranrio e Bibi Ferreira, foram até agora 13 indicações em várias categorias, incluindo música, direção musical, ator, atriz e figurino.

  • A caixa do imponderável

    A caixa do imponderável

    Ainda me lembro muito bem daquela tarde de primavera, em 2010, quando entrei pela primeira vez nos bastidores de um teatro – no caso, o Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes – para assistir a um ensaio. A luz começava a cair quando cruzei a praça e entrei no velho teatro pela porta lateral. Eu estava ali para assistir ao ensaio do musical Era no tempo do rei, do qual era co-roteirista. Cumprimentei o guarda, me identifiquei e entrei. Depois de subir a meia dúzia de degraus que levava a uma espécie de hall de serviço, olhei em torno e não vi ninguém. Por alguns segundos, fiquei desorientada, sem saber o que fazer. Mas havia diante de mim uma porta de mola, sem maçaneta, e pensei ter ouvido um murmúrio por trás dela. Empurrei essa porta e, ao fazer isso, penetrei num outro mundo – o mundo do teatro. De suas entranhas, de seu avesso. A porta de mola me colocou dentro dele, de imediato. Não era noite, nem dia naquele lugar. Não era hoje, nem ontem. Era teatro.

    O lugar onde se prepara um sonho é um mundo irreal, que nos envolve e cobre como água, que nos entra pelos poros, como eu logo iria constatar. É diferente de simplesmente assistir a uma peça. É conhecer o outro lado do espelho.

    Estava escuro, mas percebi que ali era a coxia. Olhei para cima. Um pé-direito altíssimo, todo cruzado de barras e vergalhões, onde se plantavam dezenas de pontos de luz. Baixei os olhos. O chão escuro estava cheio de armadilhas, uma trama de cabos, fios e objetos cujo formato eu mal podia discernir. Sentia-me um pouco como Alice no País das Maravilhas, com uma mistura de alegria e ansiedade, de fascínio e medo por entrar naquele reino desconhecido. Mas fui em frente.

    Sem querer atrapalhar os atores, que a essa altura se movimentavam pelo palco, ensaiando, esgueirei-me por aquela teia de fios e cabos e, tateando, desci pela escadinha lateral que vai dar na plateia. Com um cumprimento de cabeça, de longe, saudei o diretor e seus assistentes, que estavam sentados. Não queria interromper. Fui para uma fila lá atrás e afundei em uma das poltronas, cada vez mais fascinada.

    Sob as luzes irreais que varriam a cena, pessoas que outro dia mesmo eu conhecera e com quem conversara – pessoas normais, sorridentes ou sérias, pessoas como qualquer um de nós, com incertezas e anseios – estavam transformadas. Eram personagens. Eram magia. Eram música e letra, eram fantasia. Eram teatro.

    Foram horas assim. Horas em que me vi submersa naquele mundo único, iluminado e surreal. Talvez eu nem devesse falar em horas, porque ali dentro o tempo passa num tempo próprio. Seja como for, quando afinal saí, eu também estava transformada.

    Com novo cumprimento ao guarda, cruzei o portão externo e me vi novamente na Praça Tiradentes. Era noite alta, já. As ruas do Centro do Rio estavam desertas, exceção feita a um ou outro mendigo dormindo pelos bancos. Ao fundo da praça, a fachada iluminada do Real Gabinete Português de Leitura, de uma beleza suave e lilás, aumentava a sensação de solidão. Era estranho pensar como a vida ali fora continuara, a vida comum, fora do tempo do teatro, aquele tempo atemporal no qual eu penetrara. Um tempo que, com sua mágica, parece ter o poder de fazer o mundo parar de girar.

    Hoje, cinco anos e mais algumas experiências teatrais depois, continuo deslumbrada com esse espaço de mistério que é o palco, essa caixa do imponderável que é o teatro, um lugar onde tudo pode acontecer e onde, a cada noite, cada espetáculo é único e irrepetível. Se naquela tarde na Praça Tiradentes eu me espantei com as entranhas do teatro, continuo, ainda hoje, descobrindo novos e novos motivos de deslumbramento, tanto no longo processo de ensaios quanto na hora da encenação para valer.

    Lembro, por exemplo de um desses momentos. Foi em uma arena num subúrbio do Rio, onde íamos encenar minha peça O lugar escuro, sobre a doença de Alzheimer. É um tema pesado e tínhamos dúvidas sobre como seria a reação do público. Depois de uma temporada bem-sucedida em Copacabana, estávamos fazendo a primeira de doze apresentações gratuitas (bancadas pela Prefeitura do Rio) em lonas e arenas culturais, espaços voltados para pessoas com menor poder aquisitivo. Fomos todos, atores, técnicos, diretor, produtores e eu, numa van, atravessando os subúrbios cariocas na hora do rush, enfrentando um engarrafamento monstro e um temporal assustador. Depois de mais de duas horas de viagem, chegamos à arena onde seria realizada a peça. E descobrimos que estava faltando luz.

    Ficamos do lado de fora, no pátio, esperando, sem saber bem o que fazer. Era impossível entrar na arena, lá dentro era só negror. Até poucos minutos antes da hora da peça, continuávamos sem saber se haveria espetáculo. Aí a energia voltou. As atrizes foram para o camarim e começou uma correria. Alguns minutos depois, os portões foram abertos e o público entrou. Eram poucas pessoas – claro, com aquela loucura de temporal e falta de energia. E com um detalhe: entre os espectadores, havia pelo menos umas vinte crianças de menos de 10 anos. Sentada no meio da plateia, fiquei me perguntando como seria a reação daqueles meninos (o espetáculo era recomendado para maiores de 12 anos) diante de um texto falando sobre velhice, doença e morte. Esperei.

    Assim que a peça começou, percebi que os meninos e meninas estavam de olhos muito abertos, em atenção máxima. Apenas, de vez em quando, cochichavam entre si. Apurei os ouvidos para ouvir o que diziam – e fiquei impressionada. Eles estavam entendendo tudo! Foi um dos públicos mais atentos e receptivos de todas as temporadas de O lugar escuro. Ao final, nossa grande atriz Camilla Amado, que fazia o papel da mulher com Alzheimer, desceu do palco e veio confraternizar com os meninos. Todos a cercaram e abraçaram, como se ela ganhasse ali mais de uma dúzia de netos. Foi uma grande emoção.

    Agora, com mais um trabalho em cena – o musical Bilac vê estrelas –, a emoção se renova. Depois de nossa temporada inicial, de dois meses, no Teatro Ginástico, no Centro da cidade, fomos fazer o circuito Sesc, em vários bairros e localidades do Grande Rio. Estava eu em um desses teatros, em Nova Iguaçu, para onde tinha ido no meio da tarde, no micro-ônibus da produção. A maior parte dos atores tinha ido conosco, mas dois deles, Tadeu Aguiar e Sérgio Menezes, precisaram ir mais tarde e, por isso, foram juntos, de carro. Só que chovia muito e eles pegaram um grande engarrafamento. Tentando escapar, consultaram um aplicativo com opções de trânsito e sem querer enveredaram por locais desconhecidos. Quando se deram conta, estavam em uma ruela escura, miserável. Anoitecia. De repente, o carro deles foi cercado por vários homens de motocicletas, com armas na mão. Os bandidos levaram tudo: o carro e todos os pertences deles, dinheiro, relógios, celulares, documentos. Largados sozinhos no meio da favela, sob a chuva, os dois atores conseguiram um celular emprestado e ligaram para alguém da produção, que foi buscá-los, enquanto, no teatro, todos nós aguardávamos, na maior aflição.

    Quando os dois atores chegaram – trêmulos, encharcados –, eu pensei que o melhor a fazer seria suspender o espetáculo. Mas não. Tadeu e Sérgio foram para seus camarins e dali a poucos minutos começava a peça. Eu me perguntava como seria.

    Pois foi uma surpresa. Lá estavam eles, parecendo completamente à vontade, concentrados, perfeitos em sua atuação. Bilac vê estrelas é uma comédia musical, onde os atores cantam, dançam, movimentam-se muito – e fazem rir. Como eles conseguiam?, eu me perguntava. Como podiam ser tão leves e engraçados tendo acabado de passar por uma experiência extrema, brutal, de risco de vida? É que ali dentro, naquele espaço de sonho que é o teatro, tudo fica em suspenso. Sobre o palco – essa pátria, esse porto seguro dos atores – nada de mal pode acontecer.

     

    Texto meu publicado na revista Florense (agosto 2015)

  • Agora é o Prêmio Shell

    Agora é o Prêmio Shell

    Nosso musical “Bilac vê estrelas” recebeu mais uma indicação de prêmio: desta vez foi a de Melhor Música (trilha original de Nei Lopes), pelo Prêmio Shell de Teatro 2015. Ao contrário de outros prêmios, o Shell, referência no teatro brasileiro, não inclui outras categorias específicas para teatro musical (Melhor Ator ou Atriz de Teatro Musical, melhor Direção Musical etc). A peça “Salina, a última vértebra” teve o maior número de indicações, com quatro (direção, atriz, figurino e inovação).

    Às montagens indicadas agora se juntarão as produções do segundo semestre, que serão anunciadas em dezembro. O júri do Rio de Janeiro se manteve o mesmo da última edição, formado por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Moacir Chaves. O Shell concede a cada categoria um prêmio no valor de R$ 8 mil. Os vencedores deverão ser conhecidos em março de 2016.

    A caricatura mostrada no alto deste post é do cartunista Paulo Caruso, feita enquanto ele assistia ao espetáculo em São Paulo.

  • ‘Bilac’: 6 indicações ao Prêmio Cesgranrio

    ‘Bilac’: 6 indicações ao Prêmio Cesgranrio

    Nosso musical ‘Bilac vê estrelas’ recebeu nada menos que seis indicações para o Prêmio Cesgranrio de Teatro 2015: Melhor Direção Musical (Luís Filipe de Lima), Melhor Ator de Musical (André Dias), Melhor Atriz de Musical (Alice Borges e Izabella Bicalho), Melhor Figurino (Carol Lobato) e Categoria Especial (Nei Lopes, pela trilha original da peça). Outra peça que também se destacou foi ‘Krum’, com sete indicações.

    Os indicados foram escolhidos entre as peças que se apresentaram no primeiro semestre de 2015. No fim do segundo semestre, eles anunciarão mais uma leva de indicados, e os vencedores serão premiados em janeiro do ano que vem. Além dos troféus, o vencedor de cada categoria ganha R$ 25 mil.

    O júri do Prêmio Cesgranrio é formado por Jacqueline Laurence, Carolina Virguez, Daniel Schenker, Lionel Fischer, Macksen Luiz, Mirna Rubim e Tânia Brandão.

    Confira a lista completa dos indicados:

    Melhor Direção
    Ana Teixeira por “Salina”
    Daniel Herz por “Meu saba”
    Marcio Abreu por “Krum”

    Melhor Ator
    Danilo Grangheia por “Krum”
    Ranieri Gonzalez por “Krum”
    Rogério Fróes por “Família Lyons”

    Melhor Atriz
    Ana Beatriz Nogueira por “Um pai”
    Grace Passô por “Krum”
    Suzana Faini por “Família Lyons”

    Melhor Espetáculo
    “Krum”
    “Meu saba”
    “Salina”

    Melhor Cenografia
    Bia Junqueira por “Meu saba”
    José Dias por “Eugenia”
    Lorena Lima por “Consertam-se imóveis”

    Melhor Iluminação
    Aurélio Di Simoni por “Meu saba”
    Nadja Naira por “Krum”
    Renato Machado por “Madame Bovary”

    Melhor Figurino
    Ana Teixeira e Stephane Brodt por “Salina”
    Carol Lobato por “Bilac vê estrelas”
    Patricia Lambert por “Madame Bovary”

    Melhor Texto Nacional Inédito
    Daniela Pereira de Carvalho por “Contra o vento”
    Keli Freitas por “Consertam-se imóveis”
    Leonardo Netto por “Para os que estão em casa”

    Categoria Especial
    Bruno Lara Resende pela adaptação de “Madame Bovary”
    Marcia Rubin pela direção de movimento de “Krum”
    Nei Lopes pela trilha original de “Bilac vê estrelas”

    Melhor Direção Musical
    Alexandre Elias por “S’imbora – O Musical”
    Luís Filipe de Lima por “Bilac vê estrelas”
    Marcelo Alonso Neves por “Contra o vento”

    Melhor Ator em Musical
    André Dias por “Bilac vê estrelas

    Ícaro Silva por “S’imbora – O Musical”

    Melhor Atriz em Musical
    Alice Borges por “Bilac vê estrelas”
    Izabella Bicalho por “Bilac vê estrelas”

     

  • ‘Carmen’ recebe dois prêmios

    ‘Carmen’ recebe dois prêmios

    Foi hoje, 10 de junho, a entrega dos dois prêmios que a FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – deu para o livro “Carmen – A grande Pequena Notável”, biografia de Carmen Miranda para crianças que eu e Julia Romeu escrevemos em parceria. A entrega dos prêmios – Melhor Livro Informativo (não-ficção) e Melhor Projeto Editorial – foi feita durante a cerimônia de abertura da décima sétima edição do Salão FNLIJ, que se realiza até 21 de junho no Centro de Convenções da Sul América, no Rio. Julia Romeu e eu estivemos presentes à cerimônia, ao lado da editora Renata Nakano, para receber os certificados. “A grande Pequena Notável”, lançado no início do ano, é realmente um lindo projeto editorial, com ilustrações de Graça Lima, em estilo art decô, inspiradas em J. Carlos. O livro saiu pela Edições de Janeiro e já tinha recebido o selo da FNLIJ de “Altamente recomendável”.

  • ‘Bilac’ estreia em São Paulo

    ‘Bilac’ estreia em São Paulo

    Depois de cinco meses de sucesso no Rio, nosso musical “Bilac vê estrelas” está agora em São Paulo. A temporada, que vai até 26 de julho, será no Teatro Promon (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1830, Vila Olímpia), sempre às sextas, sábados (21h) e domingos (18h). Para quem não sabe, “Bilac vê estrelas” se baseia no livro homônimo de Ruy Castro e é um musical genuinamente brasileiro, com canções originais de Nei Lopes. São modinhas, polcas, fados, lundus, maxixes, fados e outros tantos ritmos, com letras deliciosas e engraçadíssimas.

    Uma parceria minha com Julia Romeu, “Bilac vê estrelas” se passa no início do século XX, em plena Belle Époque carioca, e apresenta personagens históricos como o poeta Olavo Bilac (André Dias) e o jornalista José do Patrocínio (Sergio Menezes), em uma trama cômica que mistura ficção e realidade: os dois amigos têm que enfrentar a cobiça de uma espiã portuguesa (Amanda Acosta), que se alia ao Padre Maximiliano (Caike Luna), interessados no projeto de um dirigível, criado por Patrocínio. O elenco conta ainda com Alice Borges (atriz convidada), Reiner Tenente, Jefferson Almeida, Saulo Segreto, Gustavo Klein, Andrea Dantas, Claire Nativel e Augusto Volcato.

     

    Links para as principais matérias sobre o espetáculo publicadas por Estado e Folha de S. Paulo:

     

    http://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca,bilac-ve-estrelas-comedia-musical-com-15-cancoes-ineditas-de-nei-lopes-estreia-em-sp,1695486

     

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/05/1634908-compositor-do-musical-bilac-ve-estrelas-nei-lopes-critica-broadway.shtml

     

     

  • ‘A grande Pequena Notável’ ganha Prêmios FNLIJ 2015

    ‘A grande Pequena Notável’ ganha Prêmios FNLIJ 2015

    “A grande Pequena Notável”, a biografia de Carmen Miranda para crianças, escrita por mim em parceria com minha filha, Julia Romeu, ganhou o prêmio FNLIJ 2015 (da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) em duas categorias: Melhor Livro Informativo (não-ficção) e também Melhor Projeto Editorial . Publicado pela editora carioca Edições de Janeiro, “A grande Pequena Notável” tem belíssimas ilustrações de Graça Lima, que fazem lembrar os desenhos de J. Carlos. O prêmio, que abrange várias categorias, é concedido anualmente a publicações voltadas para crianças e jovens. Concorrem editoras de todo o país.

    Foi uma experiência deliciosa escrever para crianças a história dessa artista extraordinária. É para nós uma paixão antiga, que só fez crescer depois que Ruy Castro fez “Carmen – Uma biografia” e, principalmente, depois que Julia e eu escrevemos um musical sobre a vida dela (que ainda não conseguimos botar nos palcos).

    Aqui vão dois trechinhos do livro infantil:

     

    “Quando Carmen e sua família chegaram ao Brasil, tinha tanto português, mas tanto português aqui, que eles se sentiram em casa. Naquela época, a única cidade do mundo que tinha mais alfacinhas do que o Rio era Lisboa, a capital de Portugal. Alfacinha é como chamam os lisboetas, porque na capital portuguesa sempre se plantou muita alface.

    A pequena Carmen deve ter aprendido a engatinhar naquelas pedras tão conhecidas da gente, que formam desenhos em preto e branco e que se chamam – olha só! – pedras portuguesas.”

     

     

    “Carmen era sapeca e desbocada. Volta e meia, soltava um palavrão. Mas era sempre um palavrão engraçado, que escapulia da boca, fazendo todo mundo em volta morrer de rir. Menos seu Pinto. Ele brigava quando ouvia, mas Carmen sabia que o pai não tinha moral para falar: era com ele que ela aprendia todos os palavrões!”

     

     

  • Não desista de nós, Bob

    Não desista de nós, Bob

    Os órgãos de fiscalização da Prefeitura do Rio de Janeiro decidiram pôr abaixo todos os imóveis dos morros da cidade que apresentem alguma forma de irregularidade em sua construção.

    Calma, não se assuste. Claro que a frase acima é uma notícia fictícia. Sabemos muito bem que uma medida dessas seria inviável, impossível, impraticável. Significaria pôr abaixo a maioria das casas de quase todas as comunidades do Rio. Pois então eu me pergunto: por que aplicar a rigidez da lei justamente contra o albergue The Maze, que existe há mais de 30 anos na favela Tavares Bastos, no Catete?

    A Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) ordenou a demolição dos seis pavimentos do albergue, sob a alegação de que a construção ameaça desabar sobre as casas de baixo. O órgão da Prefeitura parece irredutível, apesar de todos os esforços feitos nos últimos anos pelo dono, o inglês Bob Nadkarni, para conseguir regularizar a construção. Será possível que não haja uma maneira de se contornar o problema, sem precisar demolir o albergue?

    Minha proposta não é de que se burle a lei, mas que haja uma flexibilização, de forma a dar oportunidade para que não se perca uma história tão bonita de amor ao Rio e ao Brasil. The Maze não é apenas mais um hostel, como tantos que têm surgido nos últimos anos. É a materialização da história de amor de um homem por nosso país.

    Bob Nadkarni chegou aqui de navio em 1972. Estava a caminho do Equador, mas se apaixonou pelo Rio e pelo Brasil – e decidiu ficar. Algum tempo depois, conheceu a Tavares Bastos e também se encantou. Foi morar lá e se transformou em um benfeitor do lugar – lutou, entre outras coisas, pela instalação, dentro da comunidade, da sede do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar), que foi muito importante para a pacificação da favela. E isso dez anos antes das UPPs.

    A pacificação no Rio mal começava quando estive na Tavares Bastos em 2010 e conversei com ele. Comemos bolo de chocolate na varanda do albergue, com a beleza da vista se descortinando para nós, o Pão de Açúcar ao fundo. Ouvi, fascinada, as histórias desse inglês tão carioca, generoso e bonachão. Soube depois que ele já tinha ajudado muita gente e era adorado na favela. Talvez tenha incomodado algumas pessoas com sua disposição de lutar pela comunidade. Isso explicaria a chuva de denúncias surgidas contra The Maze nos últimos anos.

    Bob Nadkarni foi importante para a consolidação da Tavares Bastos como polo de cinema, tradição que já vinha dos anos 1920, quando Adhemar Gonzaga filmou lá cenas de “Barro humano”. O fato de o lugar ser uma favela pacificada, numa época em que isso parecia ainda um sonho distante, permitiu que, em suas ruas emaranhadas, fossem filmados ou gravados “Orfeu do Carnaval”, “Tropa de elite”, os seriados “Cidade dos homens e “A lei e o crime” e a novela da TV Record “Vidas opostas”, entre outros. Foi também na Tavares Bastos que Hollywood rodou, em 1997, “O incrível Hulk” (nas filmagens, havia trezentos profissionais trabalhando no morro, além de cinco mil moradores participando direta ou indiretamente) e vários clips internacionais como os de Snoopy Dogg e da banda Black Eyed Peas. Isso, para não falar nos inúmeros comerciais de TV.

    Bob, que tem uma história pessoal incrível – trabalhou como escultor de naves espaciais no filme “2001 – Uma odisseia no espaço” e foi repórter da BBC –, veio do outro lado do mundo para fazer coisas boas em uma comunidade carioca. E agora queremos botar seu sonho abaixo. Espero – caso isso se concretize – que ele não desista de nós.

     

    Matéria minha publicada no jornal O GLOBO de 26 de abril de 2015.

     

  • ‘Bilac’: última semana!

    ‘Bilac’: última semana!

    Para quem ainda não viu – ou para quem quer ver de novo – nosso musical “Bilac vê estrelas” está em sua última semana no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea. Os espetáculos serão quinta (às 19 horas), sexta e sábado (às 21 horas) e domingo (às 20 horas). No próximo dia 28 de maio, “Bilac” estreia em São Paulo, no Teatro Promon (ex-São Luiz). Baseado no livro homônimo de Ruy Castro e adaptado por mim e por Julia Romeu, “Bilac vê estrelas” tem direção de João Fonseca e músicas inéditas de Nei Lopes. Com André Dias, Izabella Bicalho, Tadeu Aguiar, Alice Borges e grande elenco, o musical brasileiríssimo foi aclamado pela crítica, como mostram as frases abaixo:

     

    “Composições inspiradas, com letras inteligentes. Um trabalho irretocável”.

    “Ótimo”.

    Macksen Luiz, O Globo

     

    “Há muito se tenta fazer um musical brasileiro com essa categoria. Vocês conseguiram”.

    Herminio Bello de Carvalho, compositor

     

    “Quinze canções novas, não menos do que excelentes”.

    “O público sai cantarolando”.

    Luiz Fernando Vianna, Folha de S. Paulo

     

    “Um raro exemplar recente de musical de fato brasileiro”.

    “Adorável”.

    Rafael Teixeira,Veja Rio

     

    “O espectador é transportado para o Rio da Confeitaria Colombo e da Rua do Ouvidor”.

    Daniel Schenker, O Estado de S. Paulo

     

     

     

     

     

     

  • Lançamento de Carmen – A grande pequena notável

    Lançamento de Carmen – A grande pequena notável

    Vai ser domingo, às 16 horas, na Livraria da Travessa de Botafogo, o lançamento do livro “Carmen – A grande pequena notável”, a biografia de Carmen Miranda para crianças. O texto é meu em parceria com Julia Romeu e as ilustrações são de Graça Lima. Vai ter brigadeiro, brindes e brincadeira. Não percam!