Será amanhã, dia 26 de março, o lançamento de “Uns cheios, outros em vão”, em São Paulo. O lançamento vai ser no SESC Vila Mariana e incluirá também um bate-papo comigo e com Ruy Castro, como parte da série de palestras “Sempre um papo”. O tema da conversa será “A literatura depois do jornalismo” e o encontro começa às 8h da noite.
Categoria: Livros
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Com prosa e sem censura
No próximo dia 21 de março, a partir de 4h da tarde, vou participar do ‘Café com prosa’, um bate-papo que é promovido pela Malagueta Comunicação e pela Cake & Co. O tema é o livro “Uns cheios, outros em vão”, misturando memória e culinária, que eu lancei pela editora Casa da Palavra no final de janeiro. A Cake & Co fica na rua Conde de Irajá 132, em Botafogo.
No dia seguinte, dia 22, vou participar do programa ‘Sem Censura’, da TV Brasil, para bater um papo sobre o mesmo livro. Vai ser interessante voltar ao ‘Sem Censura’, dessa vez para falar de um lado mais colorido da minha mãe, porque em 2007, quando lancei “O lugar escuro”, estive lá e a entrevista foi muito emocionante. Tanto, que até hoje encontro pessoas que assistiram ao programa e ficaram impressionadas com meu relato sobre a convivência com a doença de Alzheimer.
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Lançamento de ‘Uns cheios, outros em vão’
O lançamento de “Uns cheios, outros em vão — Receitas que contam histórias” na livraria Argumento, na segunda-feira, (28 de janeiro), foi um sucesso (na foto ao lado, eu recebo as atrizes da peça “O lugar escuro”, Laila Zaid, Camilla Amado e Clarice Niskier). Os convidados tiveram oportunidade de provar três pratos do livro, que reúne receitas culinárias da minha mãe, Maria Angélica, e tem também contos, crônicas e muitas histórias engraçadas sobre a família. “Uns cheios, outros em vão” é uma espécie de contraponto a “O lugar escuro”, livro sobre o Alzheimer, que deu origem à peça do mesmo nome, atualmente em cartaz no Espaço Sesc de Copacabana. A degustação de pratos cujas receitas estão no livro incluiu o Vatapá da Maria Angélica, que durante décadas foi famoso entre todos os meus amigos. O título “Uns cheios, outros em vão” é inspirado em um ditado que minha mãe sempre usava, não só para falar de culinária (copos e xícaras mais ou menos cheios na hora de medir leite ou farinha), mas também se referindo à própria vida: não se pode ter tudo.
Vejam a matéria que saiu sobre o livro na Folha de S. Paulo.
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‘Uns cheios, outros em vão’
Meu novo livro, “Uns cheios, outros em vão – Receitas que contam histórias“, vai ser lançado no próximo dia 28 de janeiro, segunda-feira, na Livraria Argumento, no Leblon. Esse livro, que sai pela editora Casa da Palavra, é uma espécie de reverso de “O lugar escuro”: são as receitas culinárias da minha mãe, Maria Angélica, misturadas a muitas histórias pitorescas da família, além de trechos de contos, crônicas e romances meus.
O livro sem dúvida terá a beleza gráfica que já é típica da Casa da Palavra e será também claro e alegre, porque mostra o lado luminoso da personalidade de Maria Angélica, que era uma grande cozinheira.
Reproduzo aqui um trecho do livro, tirado do capítulo de abertura, “Patrimônio imaterial”:
“E então talvez seja isso, pensei, talvez esteja nessa memória a imortalidade possível. Deixar alguma coisa – uma obra importantíssima ou um livro de receitas, não importa –, um sinal qualquer na areia, um rastro. Talvez não precise nem ser um livro de receitas, basta que tenha restado a lembrança de um prato gostoso, de um almoço festivo preparado com capricho, ou de simples biscoitinhos amanteigados feitos em uma tarde de chuva. Essas lembranças são nosso patrimônio imaterial.
E foi assim que, tendo nas mãos fragmentos do passado em forma de receitas, comecei a perceber que elas me contavam histórias. Traziam recordações de várias épocas, como se estivessem sendo contadas a mim pelas mulheres da família, por Guiomar, Maria Eugênia, Maria Angélica, até mesmo por minha outra avó, Mariá, que, como eu, sempre detestou cozinhar. As páginas antigas, com suas imperfeições, manchas, rasgões, e mesmo as intactas ou feitas com mais capricho – todas elas – guardavam um significado maior. Somadas, tinham voz.
E, como aconteceu um dia com a madalena mergulhada no chá de tília, oferecido a Proust por sua tia – “quando mais nada subsistisse de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas” –, também de minhas páginas reencontradas saíram quartos, casas e quintais, cidades e sítios, cheiros, gostos e prazeres, assim como sustos, medos, talvez até mágoas. Brotaram das folhas de papel, como o aroma que se espraia de uma travessa fumegante, trazendo junto com elas o sabor de várias gerações.”
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‘O lugar escuro’ estreia em janeiro
Tenho assistido, pelo menos uma vez por semana, aos ensaios da peça que escrevi, “O lugar escuro”, e que estreia dia 4 de janeiro no Espaço SESC, em Copacabana. Sob a direção de André Paes Leme, as atrizes Camilla Amado, Clarice Niskier e Laila Zaid estão penetrando na história dessas três mulheres, avó, mãe e filha, cuja vida foi abalada pela doença de Alzheimer. Não falo por mim, porque como autora sou suspeita, mas o que ouço e percebo nos ensaios é que a história está mexendo profundamente com as atrizes e com todas as pessoas envolvidas. Espero que o público sinta a mesma coisa.
“O lugar escuro” foi adaptada a partir do livro do mesmo nome, que escrevi em 2007 para a editora Objetiva. Na época, durante entrevistas e palestras de que participei por vários lugares do país, eu me defrontei, inúmeras vezes, com uma verdadeira tempestade emocional. Era impressionante ver a comoção que o assunto provocava nas pessoas.
Hoje em dia, quando a expectativa de vida cresceu muito, é raro encontrar alguém que não tenha um parente ou conhecido com Alzheimer, ou sofrendo de alguma demência senil correlata. Por isso, tudo o que acontece em torno da doença interessa a tantas pessoas. São questões como a fragmentação das relações familiares, as velhas mágoas, os rancores, o absurdo de se conviver com a loucura, o medo de enlouquecer também e os caminhos para se salvar, ou pelo menos para tornar mais suportável a situação. E tudo isso é abordado na peça.
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A Fliporto foi um sucesso
Ruy Castro e eu participamos na semana passada da Fliporto, a feira de livros pernambucana, que antigamente era em Porto de Galinhas, mas agora acontece em Olinda. O homenageado deste ano era Nelson Rodrigues, cujo centenário está sendo comemorado, e nós dois participamos de uma mesa ao lado de Geneton de Moraes. Ficamos muito bem impressionados com a organização da festa e, principalmente, com o interesse das pessoas e seu nível de informação. Depois da palestra, participamos de uma noite de autógrafos e assinamos dezenas de livros, conversando com leitores muito atentos, cheios de observações interessantes a fazer. Foi um sucesso.
Aproveitamos nossa ida a Pernambuco para visitar a Oficina de Francisco Brennand e o Instituto Ricardo Brennand, ambos em Recife. O primeiro, infelizmente, estava fechado por causa do feriado de quinta-feira, dia 15 de novembro, e só pudemos passear pelo lado de fora (já deu para ver que beleza que é). Mas o segundo, o Instituto Brennand, estava aberto e nós pudemos conhecer, por dentro e por fora, esse lugar único e sensacional, que merece ser reconhecido internacionalmente. A beleza das construções e dos jardins, a quantidade de obras de arte, a coleção de armas brancas, as tapeçarias, tudo é espetacular. No momento, está acontecendo uma exposição com as pinturas de Frans Post (Brennand tem a maior coleção particular do pintor holandês no mundo), que é uma beleza. Mas tem também Rugendas, Facchinetti, Botero, Antonio Parreiras, Eliseu Visconti, a lista não tem fim. A única coisa que infelizmente não tem é, na lojinha do museu, um catálogo do acervo permanente. Coisas do Brasil.
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Cadernos de viagem
Remexendo nas estantes de uma livraria, meus olhos pousaram sobre dois livros pequenos, de capa dura — um azul, outro amarelo. Tinham uma delicadeza antiga, a começar pelo título ostentado por cada um: Caderno de viagem. E isso foi o que primeiro me atraiu. Quem, hoje em dia, faz cadernos de viagem? Eu faço. Faço pequenos diários sobre os lugares por onde passo e é uma delícia um dia, anos depois, ler as anotações. Mas o que estava ali diante de mim, naquela livraria, era coisa muito diversa.
Eram dois cadernos de viagem (da editora Bei), um sobre o Rio, outro sobre Paraty, escritos e desenhados por Pablo de la Riestra, argentino radicado na Alemanha, desenhista e historiador de arquitetura (como li na última página). Como eu estava para ir à feira literária de Paraty — e guardava ainda na memória, de visitas anteriores, a beleza homogênea, quase perfeita, daquele casario colonial sob o sol ou sob a lua cheia, com a maré alta formando canais venezianos nas ruas –, decidi comprar os livros e levá-los na bagagem.
Paraty, como todos sabem, é um deslumbramento a cada esquina. A harmonia do casario em seu centro histórico — que, por ser pequeno e plano, pode facilmente ser percorrido a pé — é perfeita. Eu já estivera lá muitas vezes, desde o tempo em que não havia estrada direito, no início dos anos 1970. Mas, desta vez, foi um prazer especial visitar suas ruas e olhar para os detalhes das casas, tendo nas mãos o livro de Pablo de la Riestra.
Antes mesmo de chegar a Paraty, li o livro inteiro (são apenas 84 páginas) e me encantei com os detalhes históricos sobre a ocupação da região, alternando períodos de apogeu e decadência, desde o nascimento da pequena aldeia à beira do rio Perequê-Açu, tornada oficialmente uma vila com a construção de seu pelourinho, em 1660, até o novo ciclo de prosperidade e turismo vivido agora.
Mas, como arquiteta vocacional que sou, nada me encantou mais no livro de Riestra do que seus desenhos e explicações sobre os detalhes arquitetônicos do casario. Foi assim que fiquei conhecendo os diferentes tipos de telhados, em duas, três ou quatro águas, com ou sem camarinha, com ou sem água-furtada, essa nomenclatura que me soa tão portuguesa, tão romântica, tão ancestral. Foi também através de seus desenhos e explicações que percebi os diferentes balcões, portais e janelas e o significado dos desenhos nas quinas dos casarões — as chamadas pilastras. E me deparei, encantada, com nomes e expressões como cornija, arquitrave, tondo, entablamento, beiral, platibanda, cimalha, verga, florões. E até mesmo uma “unha chinesa”, vejam só, que é o nome que se dá àquela telha que fica na pontinha do telhado, meio virada para cima, e que dá a muitas casas coloniais um toque de pagode oriental.
Ao chegar à cidade, saí com meu livro nas mãos. Pablo de la Riestra deu-se ao trabalho de desenhar, com detalhismo e precisão incríveis, quarteirões inteiros de Paraty, que são reproduzidos em páginas triplas, desdobráveis. Lá estão também as principais igrejas do centro histórico — Nossa Senhora dos Remédios, Nossa Senhora das Dores, Santa Rita (sempre nos cartões postais) e a do Rosário. E ainda casarões como aquele onde hoje funciona a Casa de Cultura e o que pertence à Família Real (detalhe que Riestra teve a delicadeza de ocultar, referindo-se à casa apenas como “Sobrado da rua Fresca”), em cujos jardins dom João de Orleans de Bragança costuma dar recepções.
Mas talvez o que mais me encantou foi a reprodução daquela que é considerada por muitos a mais bela esquina do centro histórico de Paraty: o ponto em que a rua da Praia encontra a rua da Ferraria. Nessa esquina, há dois sobrados, um diante do outro, e é difícil dizer qual o mais bonito. O livro traz desenhos dos dois, com explicações interessantíssimas sobre seus detalhes. Com a publicação nas mãos, podemos observar os desenhos geométricos das pilastras (que alguns interpretam como sendo símbolos da maçonaria — mas Riestra não acredita nisso), as lâmpadas com adornos em forma de abacaxi, os balcões de ferro trabalhado e, no caso do casarão que fica do lado oeste, os fabulosos canos em forma de corneta, para escoar a água da chuva. E foi através de Riestra que fiquei sabendo que esses dispositivos para escoamento d’água sempre são chamados de “gárgulas”, não importa o formato que tenham. Eu achava que só recebiam esse nome quando tinham cara de monstros, como aqueles da Catedral de Notre Dame, em Paris, ou do edifício da Chrysler, em Nova York.
E assim, com meu livrinho de capa azul nas mãos, o Caderno de viagem que em Paraty foi meu companheiro inseparável, nunca a linda cidadezinha fluminense me pareceu tão atraente, tão interessante. Agora, de volta ao Rio, já estou lendo o outro livro, o de capa amarela: nele, Pablo de la Riestra desenha e detalha as principais construções coloniais do Centro da cidade, como o Mosteiro de São Bento, o Paço Imperial, a Casa França-Brasil, a Candelária, o Convento de Santo Antônio, os Arcos, e também algumas de estilo eclético ou clássico, como o Municipal, o Albamar e a Biblioteca Nacional. Nele, já me deparei com um glossário com palavras lindas, como mísula, mainel, contraforte, coruchéu e tímpano do frontão. Maravilha! Em breve, sairei em campo com meu livro nas mãos. Afinal, apesar de nascida e crescida aqui, sempre gostei de fazer turismo no Rio.
Artigo do último número da revista Florense, disponível para assinantes e nas Lojas de Móveis Florense.
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Lúcio Cardoso – cem anos
Aproveitei o centenário de Lúcio Cardoso, celebrado mês passado, para reler seu “Diário completo”. A edição que tenho é antiga, da José Olympio, comprada no querido sebo Berinjela, da avenida Rio Branco. Meu livro está cheio de trechos sublinhados. Um deles é este aqui:
“Envelheço como as tempestades — encaminhando-me sem ressentimento para as cores alvas da bonança. Perco os meus relâmpagos e as minhas violências — entrego-me à luz que nasce, humilde e de cabeça baixa. Mas dos céus revoltos por onde andei, conservo o segredo de uma melodia que não é feita somente de paz, mas que na sua última aquiescência, relembra ainda o amontoado negro das paisagens devastadas.”
